O Conselho Deliberativo do Corinthians está em processo de avaliação sobre a situação de Andrés Sanchez, ex-presidente do clube, que pode ser expulso em decorrência de um relatório da Comissão de Ética. A sessão acontece nesta segunda-feira e a recomendação é resultado de uma investigação sobre o uso inadequado do cartão corporativo para despesas pessoais.

O parecer, elaborado pelo presidente em exercício do Conselho, Leonardo Pantaleão, sugere a expulsão de Andrés como forma de punição. A decisão final será tomada por meio de votação aberta e nominal no Parque São Jorge, onde os conselheiros poderão acatar ou rejeitar a recomendação.

No relatório, Pantaleão destaca que as condutas apuradas demonstram uma incompatibilidade com os deveres éticos e institucionais que devem ser seguidos por um associado e, ainda mais, por alguém que ocupa um cargo de alta responsabilidade no Sport Club Corinthians Paulista. O texto menciona a importância da lealdade institucional, da responsabilidade patrimonial e da correta utilização de recursos corporativos.

A investigação, que teve início na Comissão de Justiça, revelou que Andrés utilizou o cartão de crédito do Corinthians para cobrir despesas pessoais, totalizando R$ 480.169,60 entre agosto de 2018 e fevereiro de 2021, conforme os cálculos do promotor Cássio Conserino. O ex-presidente argumenta que não existia uma política interna clara sobre o uso do cartão corporativo e que os gastos foram realizados em um contexto institucional informal, além de afirmar que não houve intenção de má-fé e que parte das despesas era compatível com as atividades do clube.

Pantaleão, em seu relatório, afirma que a irregularidade observada é incompatível com os princípios de zelo e integridade que devem ser exigidos de um presidente. Ele argumenta que a utilização inadequada de recursos financeiros da entidade compromete a confiança entre os associados e a instituição, especialmente considerando a relevância do cargo ocupado.

O relatório também menciona que a falta de comprovação objetiva sobre a vinculação das despesas ao interesse institucional impede a legitimidade dos gastos. As irregularidades não são vistas apenas como questões burocráticas, mas sim como atos graves que afetam a moral social desportiva e a credibilidade do clube.

Além da análise interna, Andrés Sanchez enfrenta processos judiciais relacionados ao uso do cartão corporativo, com acusações de apropriação indébita, enquanto outros ex-presidentes também estão sob investigação. O Ministério Público já denunciou Duílio Monteiro Alves, ex-presidente, e pediu o arquivamento das investigações contra Augusto Melo por falta de evidências.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original