Álvaro Lopes Cançado, popularmente chamado de Nariz, é um nome que se destaca na história do futebol brasileiro, especialmente por sua atuação na Copa do Mundo de 1938. Nascido em Uberaba, no Triângulo Mineiro, Nariz começou sua trajetória no futebol em Juiz de Fora, jogando pelo time amador do Granbery e depois pelo Tupi.
Após se destacar em um campeonato universitário, foi contratado pelo Atlético-MG, onde conquistou o bicampeonato mineiro em 1931 e 1932. Em 1933, transferiu-se para o Botafogo, onde também venceu o campeonato estadual em 1934 e 1935. Durante sua estadia no Rio de Janeiro, formou-se em Medicina pela Faculdade Fluminense de Medicina, em Niterói, em 1936.
No ano seguinte, Nariz fez parte da Seleção Brasileira no Campeonato Sul-Americano, atuando em três partidas. Sua habilidade em campo e formação acadêmica o levaram a ser convocado para a Copa do Mundo de 1938, na França, onde desempenhou as funções de zagueiro e médico da delegação.
A Copa de 1938 foi marcada por jogos eliminatórios desde o início. Após vencer a Polônia nas oitavas de final, o Brasil enfrentou a Tchecoslováquia nas quartas de final, em um confronto intenso que terminou empatado em 1 a 1. Nariz, após o jogo, examinou seus companheiros e confirmou que não houve lesões graves, embora o treinador Ademir Pimenta optasse por escalar o time reserva para o jogo-desempate.
Na partida seguinte, Nariz foi titular e capitão, levando a Seleção a uma vitória de 2 a 1, garantindo a classificação para a semifinal. O Brasil terminou a competição em terceiro lugar, a melhor colocação até então, após vencer a Suécia.
Aos 28 anos, Nariz decidiu encerrar sua carreira no futebol devido a um problema familiar, quando sua filha, Wanda Lúcia, foi diagnosticada com paralisia infantil. A partir desse momento, dedicou-se integralmente à medicina, tornando-se um dos pioneiros da medicina esportiva no Brasil. Em 1940, fundou o departamento médico do Botafogo, o primeiro de um clube de futebol no país.
Após uma década nos Estados Unidos, retornou a Uberaba e ajudou a fundar a Escola de Medicina da cidade, que mais tarde se tornaria a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). Nariz, que teve dois filhos também médicos, faleceu em setembro de 1984, mas deixou um legado importante para a medicina esportiva e para o futebol brasileiro.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original