O ambiente no Morumbi está tenso à medida que se aproximam as eleições presidenciais do São Paulo. A relação já desgastada entre a diretoria executiva e a presidência do Conselho Deliberativo se acirrou nos últimos dias, especialmente com o acordo do clube com a Ticketmaster, que será a nova gestora de ingressos do estádio.
O contrato, que prevê um adiantamento de R$ 140 milhões, é considerado vital por Harry Massis, presidente executivo do clube, para resolver pendências financeiras com os jogadores e melhorar o fluxo de caixa. Embora o acordo tenha sido aprovado pelo Conselho de Administração, Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo, ainda não o colocou em votação e formou uma Comissão de Análise para investigar o contrato, após questionamentos da NewC, concorrente da Ticketmaster.
Em um áudio vazado, Massis expressou sua insatisfação com a situação e ressaltou a importância da aprovação do contrato para a saúde financeira do clube. A tensão entre os dois líderes é reflexo de uma rivalidade política, uma vez que pertencem a grupos opostos.
Massis assumiu a presidência do São Paulo em janeiro de 2026, após a renúncia de Julio Casares, antigo aliado de Olten. Desde então, as relações entre os poderes se deterioraram. Em fevereiro, Olten convocou uma reunião extraordinária do Conselho Consultivo para discutir uma denúncia envolvendo a filha de Massis, Chris, em um suposto esquema de venda ilegal de ingressos para shows no Morumbi, o que levou a um possível processo de impeachment contra Massis, mas ele permaneceu no cargo.
A crise se intensificou em abril, quando Massis protocolou um pedido de expulsão de Olten, alegando gestão temerária relacionada a irregularidades na proposta de reforma estatutária do clube. A Comissão de Ética do São Paulo também encaminhou um pedido à Polícia Civil para investigar Olten por suposta falsidade ideológica.
Após uma tentativa frustrada de Olten de substituir membros da Comissão de Ética, ele pediu afastamento para preparar sua defesa, mas seu pedido foi recusado em junho. O Ministério Público, posteriormente, arquivou a denúncia por falta de tipicidade penal.
Em julho, conselheiros do São Paulo apresentaram uma representação pedindo o afastamento de Harry Massis, alegando indícios de gestão temerária. No entanto, essa representação foi arquivada pela Comissão de Ética. O acordo com a Ticketmaster é visto como uma oportunidade para aliviar a pressão sobre a gestão de Massis e resolver problemas financeiros.
A eleição dos novos conselheiros ocorrerá na segunda quinzena de novembro, enquanto a eleição presidencial está marcada para a primeira quinzena de dezembro. A disputa entre Massis e Olten também reflete a dinâmica eleitoral no clube, com Massis considerando a candidatura à presidência, enfrentando concorrência de outros conselheiros, enquanto Olten inicialmente apoiou a candidatura de Rogério Caboclo.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original