A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) realizou uma reunião nesta segunda-feira com representantes de 40 clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro para discutir a criação de uma liga única. O encontro, que ocorreu em um hotel na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, teve como objetivo apresentar um estudo que analisa a situação do futebol brasileiro em comparação com as principais ligas do mundo, como a Premier League, La Liga e Bundesliga.
Atualmente, os clubes estão organizados em dois blocos comerciais, Libra e FFU. A CBF sugeriu um cronograma para a adoção da liga única, que inclui a coleta de propostas e sugestões até o final de julho, com a previsão de que o estatuto da nova liga seja inaugurado até o final do ano. O cronograma proposto pela CBF é dividido em três etapas: coleta de sugestões de maio a julho de 2026; apresentação e ajustes de agosto a setembro de 2026; e estruturação das fases de comercialização e estatuto de outubro a dezembro de 2026.
A CBF ressaltou que o Brasil enfrenta um “gap sistêmico” em relação a essas ligas, destacando deficiências em áreas como calendário, qualidade de jogo, infraestrutura de estádios, transmissão, comercialização, governança e sustentabilidade financeira. Os dirigentes da entidade argumentaram que, antes de discutir a divisão de receitas, é fundamental aumentar os valores gerados pelo futebol no país.
Um estudo comparativo apresentado pela CBF mostrou que a receita da liga brasileira é inferior a um terço da Bundesliga, que possui 18 clubes e uma população de 84 milhões de habitantes, enquanto o Brasil conta com 20 clubes e 210 milhões de habitantes. De acordo com pesquisa recente, cerca de 140 milhões de brasileiros são torcedores de algum time, sendo 40 milhões considerados fanáticos.
O diagnóstico da CBF também destacou questões como arbitragem, calendário e fair play financeiro, dividindo a pauta em dez dimensões do produto do futebol brasileiro. Entre os pontos analisados, a entidade observou que 80% dos jogos no Brasil acontecem à noite, em contraste com apenas 25% na Inglaterra, 60% na Espanha e 30% na Alemanha. A CBF acredita que a insegurança nos estádios, apontada por 74% dos torcedores em pesquisa, impacta negativamente a presença do público.
Além das melhorias necessárias no produto do futebol, a CBF planeja transferir para a liga de clubes as discussões mais controversas, como o uso de gramados sintéticos, que atualmente são utilizados por alguns clubes da Série A. Outro tema a ser debatido é a redução do número de rebaixados, de quatro para três, e a regulação do uso de jogadores estrangeiros em cada partida.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original