O goleiro Cássio, aos 39 anos, reflete sobre sua trajetória no futebol, abordando questões de saúde mental que enfrentou ao longo da carreira. O jogador do Cruzeiro, que já viveu momentos de grande sucesso, também passou por dificuldades, incluindo problemas relacionados ao álcool e episódios de depressão.

Em 2016, Cássio percebeu que o consumo de álcool estava prejudicando seu desempenho em campo. O técnico Tite, na época à frente do Corinthians, teve um papel crucial ao ajudá-lo a entender a gravidade da situação. "Eu não conseguia enxergar, mas acabei perdendo minha posição e, após uma conversa franca com o Tite, percebi que estava indo para o fundo do poço", relembra.

Após essa reflexão, Cássio decidiu mudar seus hábitos e, consequentemente, voltou a conquistar títulos, como o Campeonato Brasileiro em 2017 e o Paulista em 2019. No entanto, anos depois, enfrentou novos desafios, incluindo críticas intensas e ameaças que afetaram sua saúde mental. "O elogio e a crítica em excesso podem levar a situações complicadas. Eu e minha família recebemos ameaças, e isso impactou nossa vida", afirmou.

Durante um período de instabilidade no Corinthians, Cássio enfrentou a depressão e chegou a chorar antes de uma partida, um momento que o marcou profundamente. Reconhecendo a necessidade de ajuda, ele decidiu buscar acompanhamento psicológico, superando o preconceito que tinha em relação a profissionais da área. "Foi a melhor escolha que fiz. A psicóloga me ajudou muito e me encaminhou para um psiquiatra", revelou.

No Cruzeiro, Cássio continuou a compartilhar suas experiências e a importância de cuidar da saúde mental. Em uma declaração após uma vitória, ele destacou que o ser humano precisa de compreensão e apoio, e que a saúde emocional não está relacionada à situação financeira. "Quem passa por isso não pensa em dinheiro. Não é isso que resolve o sofrimento", enfatizou.

Após enfrentar esses momentos desafiadores, Cássio se propõe a ajudar outros que possam estar passando por situações semelhantes. "Aprendi muito com minha experiência e quero incentivar as pessoas a buscarem ajuda. O preconceito ainda é uma barreira, mas é importante pedir apoio quando necessário", concluiu.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original