A defesa de Julio Casares, ex-presidente do São Paulo, protocolou um mandado de segurança solicitando a suspensão das investigações que apuram a exploração clandestina de camarotes no Morumbi durante sua gestão. O pedido foi feito na última segunda-feira e ainda aguarda resposta do juiz responsável pelo caso. Enquanto isso, as investigações continuam em andamento.

Antes de entrar com o mandado, a defesa de Casares havia solicitado a participação na oitiva de duas testemunhas, que estava marcada para a última quinta-feira: o diretor financeiro do clube, Sergio Pimenta, e uma funcionária que trabalha diretamente com a presidência. No entanto, esse pedido foi negado pela Polícia Civil, que está realizando uma força-tarefa em conjunto com o Ministério Público em três inquéritos relacionados a possíveis irregularidades na gestão do ex-presidente.

A defesa argumentou que tinha o direito de questionar as testemunhas ouvidas, levando à solicitação de suspensão das investigações. Os membros da força-tarefa expressaram surpresa com o mandado de segurança, que foi apresentado no mesmo dia de importantes oitivas para o caso.

Julio Casares é um dos investigados no inquérito que investiga a exploração clandestina de camarotes, ao lado de Mara Casares, sua ex-esposa e ex-diretora, Douglas Schwartzmann, ex-diretor de futebol de base, Marcio Carlomagno, ex-superintendente geral do clube, e Rita de Cassia Adriana Prado. Até o momento, diversas testemunhas foram ouvidas, incluindo os próprios investigados, sob a supervisão do delegado Tiago Correia e dos promotores José Reinaldo Carneiro e Tomás Ramadan.

Em áudios obtidos pelo site, Douglas e Mara admitem ter participado de um esquema de exploração clandestina, especialmente durante um show da artista Shakira, realizado em fevereiro do ano passado. Nas gravações, Schwartzmann menciona que ele e outros envolvidos ganharam dinheiro com a venda de ingressos, que foram comercializados a partir de um camarote do estádio.

Como consequência desse caso, Marcio Carlomagno, Douglas Schwartzmann e Mara Casares foram expulsos do São Paulo. O ex-superintendente deixou o quadro social do clube, enquanto os dois ex-diretores também foram eliminados do Conselho Deliberativo. O inquérito da Polícia Civil está em fase de coleta de provas e deverá ser finalizado nos próximos meses.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original