Os cartões corporativos, que deveriam servir para despesas institucionais, têm sido utilizados para gastos pessoais de dirigentes em clubes de futebol. Recentemente, surgiram notícias sobre ex-presidentes de clubes como Corinthians e São Paulo que utilizaram esses cartões para cobrir despesas pessoais, incluindo viagens, refeições em restaurantes, compras em lojas de luxo, e até serviços de cabeleireiro. Em casos anteriores, o cartão do Cruzeiro foi utilizado para despesas em casas noturnas.
Para entender como esses cartões são utilizados e fiscalizados, o ge consultou os 20 clubes da Série A, dos quais apenas nove responderam: Atlético-MG, Corinthians, Coritiba, Internacional, Palmeiras, Santos, São Paulo, Vasco e Vitória. A maioria dos clubes que se manifestaram concorda que, apesar da necessidade do uso de cartões no mundo digital, a questão reside na falta de regulamentação e fiscalização adequada.
Entre os clubes que responderam, o Internacional foi o único a afirmar que o presidente possui um cartão corporativo, utilizado para alimentação, hospedagem e transporte. Os demais clubes disponibilizam cartões para diretores e profissionais de várias áreas, incluindo futebol e nutrição. Após escândalos, presidentes de Corinthians e São Paulo decidiram abrir mão do uso dos cartões.
A maioria dos clubes utiliza os cartões para despesas relacionadas a viagens, como alimentação e transporte, além de pagamentos de registros de jogadores e serviços que não aceitam outros métodos de pagamento. Washington Fonseca, especialista em Direito Corporativo, ressalta que o problema não está no cartão em si, mas na má utilização da ferramenta. Ele defende a necessidade de regras claras e fiscalização rigorosa para evitar desvios.
Os escândalos ocorrem devido à falta de fiscalização, mesmo em clubes que possuem departamentos de compliance. A situação no Corinthians é um exemplo, onde compras pessoais foram feitas por um ex-presidente, enquanto o presidente do Conselho Fiscal era advogado do mesmo. Especialistas sugerem que o controle dessas despesas deve ser compartilhado, evitando que uma única pessoa tenha total autonomia.
Além disso, os cartões corporativos representam uma pequena fração dos gastos mensais de um clube, dificultando a fiscalização individual de cada compra. A CBF recomenda que os clubes implementem programas de integridade e conformidade, mas isso ainda é opcional.
Um exemplo de alternativa adotada é o Coritiba, que, após identificar problemas de controle, aboliu a maioria dos cartões corporativos. Agora, os colaboradores utilizam contas digitais para despesas, apresentando comprovantes após o uso.
Os clubes que responderam à reportagem detalharam como utilizam e controlam os cartões corporativos, com diferentes práticas e níveis de fiscalização. Em geral, as despesas são controladas pelos departamentos financeiros e requerem justificativas e aprovações antes do pagamento.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original