A Caixa Econômica Federal confirmou, pela primeira vez, que está em negociação com o Corinthians a respeito da dívida de R$ 630 milhões referente à construção da Neo Química Arena. O clube busca quitar essa dívida em troca de naming rights e outros produtos comerciais com o banco público.

Após uma reunião realizada nesta sexta-feira, que contou com a presença do presidente Osmar Stabile, do diretor jurídico Pedro Soares, do diretor cultural Rafael Castilho, além de representantes da torcida organizada Gaviões da Fiel e da Caixa, ambas as partes emitiram uma nota conjunta. Nela, anunciaram a assinatura de um termo de confidencialidade para dar continuidade às discussões.

A nota afirma: “A Caixa e o Sport Club Corinthians Paulista informam que avançaram nas conversas voltadas à avaliação de alternativas para o aprimoramento da relação entre as partes.” As tratativas estão em andamento, com foco na cooperação e transparência.

Recentemente, o Corinthians suspendeu o pagamento das parcelas da dívida com a Caixa e recebeu de volta R$ 13,5 milhões dos R$ 27 milhões que estavam em uma conta reserva, utilizando esse montante para quitar salários atrasados do elenco.

O Corinthians propõe que a Caixa assuma o naming rights do estádio, atualmente pertencente à Hypera Pharma. A diretoria avalia que os naming rights têm um valor aproximado de R$ 70 milhões por temporada, enquanto a Hypera paga atualmente R$ 15 milhões anuais, corrigidos pela inflação, desde 2020. Além disso, a proposta inclui outros ativos, como o lançamento de títulos de capitalização e a transferência da operação financeira do clube para a Caixa.

Com a negociação dos naming rights, o Corinthians poderia considerar a dívida quitada, permitindo que a Caixa explorasse comercialmente o nome do estádio por um período determinado. A situação se tornou mais urgente devido à grave crise financeira do clube, que tem um endividamento total em torno de R$ 2,8 bilhões. O presidente Stabile tem reiterado que sua principal meta é resolver a situação financeira relacionada à Arena.

Desde a inauguração do estádio em 2014, o Corinthians já desembolsou cerca de R$ 600 milhões para quitar o financiamento da construção. O contrato de renegociação, firmado na gestão do ex-presidente Duilio Monteiro Alves, estabelece um prazo até dezembro de 2041 para o pagamento da dívida, com amortizações crescentes a partir de 2025 e juros a partir de 2023, a uma taxa de 2% ao ano mais a variação do CDI.

Nos bastidores, Stabile tem apontado a dívida da Arena como uma das principais razões para a crise financeira enfrentada pelo clube. No ano passado, o presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, sugeriu que o Corinthians deixasse de pagar a dívida com a Caixa para priorizar outras pendências, o que levou o banco estatal a considerar uma renegociação.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original