A confiança é a palavra que define a postura do Botafogo em relação ao trabalho do técnico Tite. Mesmo diante de um desempenho abaixo das expectativas, com apenas uma vitória em seis partidas, a diretoria opta por blindar o treinador na fase decisiva do Brasileirão. Há um entendimento de que este não é o momento para apontar culpados, uma vez que a atual fase é reflexo de uma crise que se arrasta desde 2025.
A crise, por sua vez, não é apenas esportiva, mas também financeira. O passivo total da SAF Botafogo chega a R$ 2,5 bilhões, sendo que R$ 1,286 bilhão está sob recuperação judicial. O clube aguarda aportes da GDA Luma, nova investidora, para quitar salários e dívidas acumuladas.
Nos bastidores, a situação permanece indefinida. O Botafogo espera a aprovação da recuperação judicial para concretizar a venda da SAF à GDA, após uma vitória do clube social, que agora detém 99,18% das ações. Gabriel de Alba, o novo investidor, é fundamental para o futuro do Botafogo.
Após a derrota por 2 a 1 para o Remo, Gabriel de Alba entrou em contato com a diretoria do clube, se oferecendo para ajudar financeiramente. Recentemente, a GDA Luma já fez um aporte de aproximadamente 11 milhões de dólares (cerca de R$ 60 milhões) para o pagamento de direitos de imagem, embora a liberação desse valor ainda dependa do Ministério Público e do administrador judicial. Um novo investimento de Gabriel de Alba está previsto para dezembro, mas não está relacionado à janela de transferências. Ele deve estar presente em um dos últimos jogos do Botafogo como mandante.
O Botafogo reconhece que as dificuldades atuais são consequências de decisões tomadas desde 2025. A série de transfer bans e as incertezas enfrentadas ao longo de 2026 geraram instabilidades que impactaram a performance do time. Desde o início do ano, o clube perdeu jogadores importantes como Marlon Freitas e Barboza para o Palmeiras e Savarino para o Fluminense, o que exigiu uma busca por alternativas no mercado de transferências. Além disso, alguns atletas, como Caio Roque e Ythallo, deixaram o clube.
Internamente, há um consenso de que o momento não é de procurar culpados, mas sim de entender que as escolhas do passado resultaram na situação atual. O foco, neste momento, é garantir a permanência na elite do futebol brasileiro. Com 39 pontos e três partidas em casa, a equipe tem 91,74% de chances de evitar o rebaixamento, segundo levantamento do Gato Mestre.
Ainda assim, existe pressão de uma parte do clube social sobre o presidente João Paulo Magalhães em relação aos resultados sob o comando de Tite. Em seis partidas, o time conquistou uma vitória, um empate e sofreu quatro derrotas. Apesar das críticas, jogadores e funcionários mantêm apoio ao treinador, assim como a diretoria, que não considera sua saída, mesmo com os resultados insatisfatórios. A experiência de Tite e sua comissão técnica, além da intensidade do trabalho diário, são apontados como fatores positivos para uma possível recuperação na reta final do Brasileirão.
Três pontos separam o Botafogo da zona de rebaixamento. Na próxima quarta-feira, o clube carioca enfrentará o Atlético-MG no Estádio Nilton Santos, em partida válida pela 34ª rodada.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original