Medina foi o principal alvo do Botafogo nesta janela de transferências, e sua negociação se mostrou complexa, levando mais de dois meses até sua apresentação ao clube carioca. Um dos fatores que atrasou o acerto foi o transfer ban, além do modelo de contrato adotado.

Os direitos econômicos do jogador são controlados por empresários, incluindo o bilionário americano Foster Gillett. Para viabilizar a transferência, os representantes de Medina pagaram a multa ao Boca Juniors por meio de um fundo e o transferiram para o Estudiantes, que estava sendo considerado para integrar uma rede de multi-clubes, uma vez que a legislação argentina não permite que clubes sejam SAF.

O Estudiantes, ciente de que não teria poder na venda do meia e que não receberia valores pela negociação, já que não havia investido na sua contratação, seguiu o mesmo modelo na negociação com o Botafogo. Os representantes pagaram a multa rescisória, permitindo que o jogador deixasse o Estudiantes e assinasse com o Botafogo como “agente livre”. A multa foi avaliada em cerca de 200 mil dólares.

Medina firmou contrato com o Botafogo até dezembro de 2029. Apesar dos direitos econômicos estarem sob controle dos empresários, o clube carioca estruturou o contrato de forma a evitar uma saída rápida do jogador. O acordo inclui uma multa considerada alta para uma possível saída durante a janela de transferências do meio do ano. Além disso, existe uma opção de compra que pode ser ativada em dezembro deste ano, caso o Botafogo decida adquirir parte dos direitos econômicos do atleta.

A opção de compra é de 50% por aproximadamente 6 milhões de dólares, a serem pagos em cinco parcelas, com a primeira sendo feita à vista. O parcelamento foi estabelecido para um período de até um ano e meio. Nos bastidores, essa estrutura de negociação é vista como estratégica, permitindo ao Botafogo pagar a primeira parcela, manter Medina no elenco e, posteriormente, avaliar uma venda em meados de 2027 para gerar receita com a transação.

O cenário mais provável é que Medina permaneça no Botafogo até o fim do ano, já que a multa para uma saída imediata pesa contra qualquer movimentação nesta temporada, enquanto o clube ganha tempo para avaliar o desempenho do jogador e decidir sobre a ativação da opção de compra.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original