Os clubes brasileiros costumam ter um objetivo claro ao jogar na altitude: adaptar-se à maior velocidade da bola, lidar com a falta de ar e conseguir um resultado positivo. No entanto, o Botafogo não conseguiu se sair bem nesta missão, sendo derrotado por 6 a 1 pelo Cienciano, na partida de ida das oitavas de final da Sul-Americana. Agora, o time alvinegro enfrenta uma tarefa quase impossível para avançar às quartas de final, precisando reverter uma desvantagem de cinco gols.

O treinador Franclim Carvalho optou por escalar um time misto, mas suas escolhas não funcionaram, resultando em uma equipe leve e sem combatividade no meio de campo. Os laterais Ponte e Marçal entraram nas vagas de Vitinho e Alex Telles, enquanto Matheus Martins e Kadir foram escolhidos para o ataque. A escalação do Botafogo foi a seguinte: Warleson; Ponte, Justino, Ferraresi e Marçal; Huguinho, Medina, Danilo e Montoro; Matheus Martins e Kadir.

Na coletiva, Franclim explicou que as mudanças foram feitas em função do estilo de jogo do Cienciano, conhecido por seus cruzamentos na altitude. No entanto, as alterações não surtiram efeito, e os laterais acabaram se tornando pontos vulneráveis, permitindo que o Cienciano aproveitasse diversas oportunidades. Logo aos sete minutos, Marçal já demonstrava dificuldades para se adaptar à altitude.

Dos seis gols marcados pelo Cienciano, quatro foram originados de cruzamentos. O primeiro gol veio após um erro de marcação, onde Succar cabeceou livre. No segundo gol, uma cobrança de falta gerou confusão, e Bandiera desviou para o gol, mesmo com um possível toque de mão sendo verificado pelo VAR.

O Cienciano dominou a partida, marcando o terceiro gol após uma falha de Warleson. O quarto gol foi uma finalização de fora da área, indefensável. Tentando corrigir a situação, Franclim fez substituições ainda no primeiro tempo, mas o Botafogo não conseguiu criar chances de perigo.

No segundo tempo, Matheus Martins até marcou um gol, mas o Botafogo continuou vulnerável. O quinto gol do Cienciano veio em outra falha defensiva, e o sexto gol foi consequência de mais uma jogada bem executada pelo adversário. O Botafogo não conseguiu um único escanteio durante a partida, enquanto o Cienciano teve 14, evidenciando a dificuldade do time em atacar.

A situação se complica ainda mais, já que nunca um time na Sul-Americana conseguiu reverter uma desvantagem de cinco ou mais gols em uma eliminatória. Antes da partida de volta contra o Cienciano, o Botafogo enfrentará o Vitória pelo Campeonato Brasileiro, seguindo diretamente para Salvador.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original