O Botafogo, em seu 122º aniversário, se prepara para um desafio em Cusco, no Peru, onde enfrentará o Cienciano pelas oitavas de final da Sul-Americana. O jogo ocorrerá a 3.400 metros de altitude, o que representa um obstáculo significativo para a equipe brasileira.

Cusco, a cidade mais antiga das Américas, é rica em história e lendas incas. De acordo com uma das narrativas, o deus sol Inti guiou Manco Capac e Mama Ocllo do Lago Titicaca até o Vale Sagrado dos Incas, onde uma lança de ouro foi fincada, marcando o local que se tornaria a capital do Império Inca.

Esse relato foi documentado pelo escritor inca Garcilaso de la Vega, que também dá nome ao estádio onde ocorrerá o confronto. Em sua obra, ele descreve a ordem do Sol para estabelecer um assentamento no vale.

A região de Cusco é habitada há mais de três mil anos e, desde o século XII, tornou-se um importante centro urbano. No auge do Império Inca, a cidade serviu como capital e ponto central das rotas comerciais nos Andes.

O Império Inca, no entanto, teve uma vida curta, enfrentando invasões espanholas a partir de 1526 e conflitos internos. A resistência durou até 1572, com a morte do último inca, Túpac Amaru I, resultando na perda de poder de Cusco, que viu seu status comercial transferido para Lima pelos colonizadores.

Mesmo após a queda do Império, Cusco manteve sua cultura andina e o espírito de resistência. Mais de 200 anos depois, o cacique Túpac Amaru II liderou uma revolta contra os espanhóis, que, apesar de derrotada, inspirou futuras insurreições. O Peru conquistou sua independência em 1821.

Atualmente, Cusco é um destino turístico popular entre brasileiros e um local de competições esportivas. O Cienciano, adversário do Botafogo, foi campeão da Sul-Americana em 2003 e a cidade também abriga outros clubes, como o Cusco e o Deportivo Garcilaso.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original