O Botafogo deu um passo importante em sua disputa judicial ao firmar um acordo com a Eagle/Ares, após a definição do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de que o Tribunal Arbitral é o responsável por julgar o caso. Essa decisão abre possibilidades para a entrada de um novo investidor.
As conversas sobre o acordo entre o Botafogo e a Eagle se arrastavam há mais de um ano, mas ganharam força no final do ano passado, quando a influência de John Textor dentro do clube começou a diminuir. Thairo Arruda, ex-CEO do Botafogo, foi um dos principais defensores do acordo, mas deixou o clube em fevereiro devido a desavenças com Textor, especialmente em relação a um empréstimo feito pela GDA.
João Paulo Magalhães, atual presidente do Botafogo, que antes apoiava Textor, passou a ver o acordo como uma solução viável e iniciou negociações diretas com a Ares, realizando até viagens aos Estados Unidos para discutir a situação.
Em 23 de abril, Textor foi destituído do comando do clube por uma decisão do Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e, desde então, não retornou ao poder. Durcesio Mello assumiu interinamente até a Assembleia Geral, que nomeou Eduardo Iglesias como novo diretor.
O principal objetivo desse acordo é formalizar a saída do Botafogo da Eagle, permitindo que o clube recupere 90% das ações que pertencem à empresa. Contudo, para que isso ocorra, o Botafogo reconhece a necessidade de captar recursos, especialmente devido à situação financeira complicada resultante da gestão de Textor.
O Botafogo possui dívidas com o Lyon, e o clube francês também tem valores a receber dos alvinegros, em função de transações realizadas por Textor. A Eagle, por sua vez, está interessada em manter a relação com o Lyon e está disposta a discutir um reembolso ao Botafogo, o que poderia ajudar a resolver uma dívida de aproximadamente R$ 2 bilhões.
A GDA surge como a principal candidata para adquirir os 90% da SAF Botafogo, seja por meio da venda direta da Eagle ou através de um acordo final que permita ao clube recuperar as ações. A proposta da GDA gira em torno de 105 milhões de dólares (cerca de R$ 525 milhões), e, embora tenha vínculos com Textor, a negociação está sendo feita diretamente com o presidente João Paulo Magalhães.
Desde que se tornou SAF em 2022, o Botafogo, que foi adquirido por Textor por R$ 400 milhões, conquistou dois títulos importantes, mas também enfrentou desafios financeiros, com dívidas que superam R$ 2 bilhões.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original