O Botafogo tomou uma medida para reverter a situação da venda da SAF para a GDA, que estava parada. O presidente do clube, João Paulo Magalhães Lins, acionou um mecanismo previsto na estrutura acionária que permite ao clube recuperar o controle da SAF, diluindo a participação da Eagle. Um documento foi enviado em 7 de julho à Cork Gully e à Eagle, informando sobre a inadimplência da Eagle, que não cumpriu a obrigação de investir R$ 100 milhões. Segundo o clube, a quantia foi transferida rapidamente de volta ao Lyon, caracterizando uma simulação de aporte.

O documento destaca que a Eagle supostamente 'aportou' EUR 21.199.930,00 e USD 130.000,00, mas imediatamente transferiu EUR 21.200.000,00 de volta ao Lyon, configurando uma sucessão de atos fraudulentos que prejudicaram a SAF Botafogo. Com isso, o associativo pode exercer um direito no Acordo de Acionistas, chamado Bônus de Subscrição, que possibilita ao Botafogo se tornar majoritário, com 51% das ações, enquanto a Eagle ficaria com 49%.

O presidente do Botafogo, JP Magalhães Lins, confirmou a ação e afirmou que o investimento feito pelo clube não será perdido. A venda para a GDA enfrentou obstáculos, como uma dívida de 24 milhões de euros do Lyon, que a Cork Gully pediu para ser ignorada no dia da assinatura do contrato. Essa dívida é resultado de um 'encontro de contas' entre os clubes. Além disso, houve impasses sobre o pagamento dos honorários dos advogados envolvidos na negociação.

Com a ativação do Bônus de Subscrição, o Botafogo social, que atualmente detém 51% das ações, transferirá 41% para a GDA, mantendo apenas 10%. A Eagle Bidco, por sua vez, transferirá 49% para a GDA. A venda ocorrerá por um valor simbólico, uma vez que a GDA assumirá uma dívida estimada em quase R$ 3 bilhões. A previsão é que a conclusão da venda leve algumas semanas, e o próximo aporte deve ocorrer após a transferência das ações, com um valor estimado de 30 milhões de dólares.

Após a divulgação da reportagem, a assessoria de imprensa de John Textor, investidor do Botafogo, emitiu um comunicado afirmando que recebeu as informações com surpresa, mas que todas as operações estavam dentro da legalidade. Textor destacou que movimentações financeiras foram apresentadas de forma isolada, sem considerar entradas significativas que ocorreram logo depois. Ele reafirmou seu compromisso em recuperar o clube e construir uma instituição sustentável.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original