Em uma reunião realizada na última quarta-feira, o presidente do Flamengo, Bap, admitiu que o clube enfrentará um ano desafiador em 2027, após confirmar a previsão de um déficit de R$ 40 milhões ao final de 2026. O encontro, que contou com a presença de 56 membros do Conselho de Administração, também abordou a necessidade de readequar o orçamento do clube, que se encontra em uma situação financeira delicada.

Bap anunciou que a nova estratégia da diretoria será adotar uma postura ultraconservadora, especialmente na primeira janela de transferências, priorizando a contratação de jogadores que estejam livres no mercado, evitando gastos com a compra de direitos econômicos. A ideia é atrair atletas em fim de contrato com salários mais altos, na expectativa de que outros clubes enfrentem dificuldades financeiras para mantê-los.

A Comissão Permanente de Finanças do Flamengo também sugeriu uma abordagem de "gastar menos e vender mais" para equilibrar as contas. O plano é arrecadar entre 40 e 45 milhões de euros (aproximadamente R$ 238 a R$ 267 milhões) com vendas, sem se desfazer de jogadores que possam impactar o desempenho da equipe.

Durante a reunião, Bap foi questionado sobre a disparidade entre a previsão de gastos de R$ 1 bilhão e o déficit atual. Ele reconheceu erros, como não ter aceitado uma proposta inicial de 10 milhões de euros do Bragantino por Wallace Yan, que foi negociado posteriormente por 6 milhões de euros. O presidente também mencionou que poderia ter vendido dois jovens da base que poderiam ter solucionado os problemas financeiros do clube.

Em relação à contratação de Paquetá, que teve um custo total de R$ 315 milhões, Bap afirmou que não teria feito esse investimento se soubesse que não teria algumas receitas previstas, como a venda de Plata e o patrocínio master do clube.

Apesar do rombo orçamentário, o Flamengo divulgou uma nota oficial minimizando o aumento da dívida, afirmando que os índices de endividamento permanecem controlados. A relação entre a dívida e a capacidade de gerar caixa está em 1,2x, o que indica que o clube poderia quitar sua dívida em um ano e alguns meses apenas com o caixa gerado pela operação.

O Flamengo também lamentou a eliminação na semifinal da Libertadores, que poderia ter garantido R$ 165 milhões em caso de vitória. A diretoria tentou recorrer à Conmebol para pleitear uma vaga na final, mas não obteve sucesso, levando Bap a questionar a justiça da decisão.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original