O presidente do Conselho Deliberativo do Atlético-MG, Ricardo Guimarães, convocou uma reunião para analisar o balanço financeiro de 2025 e um aporte de R$ 430 milhões, que será utilizado para quitar parte das dívidas da SAF.

A reunião ocorrerá na próxima segunda-feira, dia 25, na Arena MRV. Os conselheiros participarão de duas chamadas: a primeira às 18h, com a presença de pelo menos dois terços dos membros, e a segunda às 19h, conforme estipulado pelo estatuto.

No balanço financeiro, o Atlético reportou uma dívida superior a R$ 2 bilhões, enquanto a receita bruta alcançou R$ 768 milhões, um aumento de 14% em comparação a 2024. Desses, R$ 565 milhões vieram de direitos de transmissão, bilheteiras, sócio-torcedor, premiações e receitas comerciais, incluindo aquelas geradas pela Arena MRV.

A pauta também incluirá o aporte realizado pelos investidores, que totaliza R$ 530 milhões, resultando em um aumento de capital de R$ 436,904 milhões na SAF, o que afetará a participação acionária dos donos. Rubens e Rafael Menin aumentarão sua fatia, enquanto a participação de outros, como a Associação, o empresário Daniel Vorcaro, Ricardo Guimarães e o FIGA, será diluída.

Atualmente, a distribuição das ações é a seguinte: Rubens e Rafael Menin detêm 41,8%; a Associação, 25%; Galo Forte FIP (Daniel Vorcaro), 20,2%; Ricardo Guimarães, 6,3%; e FIGA, 6,7%. O aumento de capital afetará a porcentagem de Daniel Vorcaro, que, devido à sua prisão e ao processo judicial em andamento, se tornará um acionista com influência reduzida, passando a ter entre 4% e 5% das ações.

O CEO do Atlético, Pedro Daniel, comentou sobre a situação, afirmando que foram tomadas as medidas necessárias para afastar Vorcaro do Conselho e das operações do clube. Ele destacou que a diluição da participação de Vorcaro é uma consequência do aporte, tornando-o um acionista irrelevante.

Vale ressaltar que, conforme a cláusula antidiluição, a porcentagem da Associação, atualmente em 25%, pode ser reduzida para 10% dependendo do aumento de capital. Também há um aporte de cerca de R$ 94 milhões destinado ao FIGA, com prazo até 1º de novembro de 2026. O FIGA, ou Fundo de Investimentos do Galo, será um espaço para participações minoritárias dos torcedores, que devem ser investidores qualificados.

O endividamento bancário é uma das principais preocupações financeiras do clube, com uma dívida atual de aproximadamente R$ 654 milhões. A intenção da SAF é enfrentar essas dívidas de curto prazo para melhorar o fluxo de caixa e possibilitar mais investimentos no futebol. Pedro Daniel ressaltou que, no último ano, o clube pagou R$ 250 milhões apenas em juros, o que compromete a competitividade.

— Este movimento pode reduzir entre R$ 120 e R$ 130 milhões em juros anuais, liberando recursos que atualmente são destinados a pagamentos de dívidas — explicou o CEO.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original