No dia 8 de maio de 2025, Mamady Cissé, um jovem de 18 anos oriundo de Guiné, desembarcou sozinho no aeroporto de Confins, em Minas Gerais. Sem dominar a língua portuguesa e com apenas uma mala, ele se preparava para iniciar sua trajetória no Atlético-MG, onde em menos de um ano, passou da base ao time profissional, renovou seu contrato e começou a aprender o idioma local.
O tradutor e professor de francês, Benjamin Lelaidier, foi designado para auxiliar Cissé em sua adaptação. Ele relatou que a chegada do atleta foi marcante, já que ele havia viajado por cerca de 36 horas e parecia tímido e impressionado com o novo ambiente. O tradutor destacou a importância de criar um vínculo com o jovem, que rapidamente começou a se integrar ao grupo e a se sentir à vontade.
Lelaidier acompanhou Cissé durante os primeiros seis meses, ajudando-o a entender desde as orientações nos treinos até questões do dia a dia, como compras e a abertura de contas. Ele se tornava uma presença constante, até mesmo nos jogos, sempre tentando transmitir as instruções do técnico com a mesma energia.
A adaptação de Cissé também contou com o apoio dos jogadores do sub-20, em especial do meia Pedrinho, que se aproximou do novo companheiro e o apresentou a Belo Horizonte, levando-o a lugares como shoppings e à Lagoa da Pampulha. Pedrinho se tornou um amigo importante, ajudando Cissé a se sentir mais em casa fora do campo.
O suporte ao jovem atleta se estendeu a diferentes setores do clube, incluindo a assistência social e o programa Player Care. Neila Bittencourt e Mateus Salomão foram fundamentais nesse processo, oferecendo apoio na adaptação do jogador e na busca por uma moradia adequada. Salomão destacou a importância de entender a rotina de Cissé para facilitar sua integração ao elenco.
Cissé, que fala o dialeto sisu e foi alfabetizado em francês, começou a ter aulas de português, com o objetivo de desenvolver sua autonomia. As aulas foram adaptadas para atender suas necessidades, e o progresso foi notável, com o jogador se mostrando um bom aluno.
Após um ano na Cidade do Galo, Cissé expressou o desejo de morar sozinho, e o clube o ajudou nesse processo, desde a busca por um apartamento até orientações sobre cuidados domésticos e alimentação saudável, essenciais para um atleta de alto rendimento.
Em sua trajetória no Atlético, Cissé já vivenciou momentos marcantes, como a estreia, o primeiro gol e desafios como a recuperação após uma expulsão. Ele já disputou 21 jogos e tem uma meta ambiciosa: jogar o Mundial de Clubes pelo Atlético-MG. O jovem atleta declarou seu sonho de conquistar títulos e representar o clube em competições internacionais.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original