O Conselho Deliberativo do Corinthians se reuniu nesta segunda-feira no Parque São Jorge para votar as contas do ano de 2025. O resultado foi a aprovação das contas, que registraram um déficit de R$ 143,441 milhões e uma dívida bruta total de R$ 2,723 bilhões.
A votação ocorreu no teatro do clube, com a presença de 178 conselheiros, resultando em 106 votos a favor e 68 contra. Quatro membros da direção atual não puderam participar da votação.
O presidente Osmar Stabile, que chegou ao local para a votação, comentou sobre a transparência das contas: “Fizemos algo inédito: limpamos as contas do Corinthians. Essa é a realidade nua e crua”, afirmou em entrevista coletiva após a votação.
A apresentação das contas foi feita pelo gerente financeiro André Lavieri, que, apesar de se recusar a assinar um termo de responsabilidade solicitado pelo presidente do Conselho, Leonardo Pantaleão, teve seu trabalho validado pelos diretores que assinaram em seu nome.
Durante a sessão, a torcida organizada Gaviões da Fiel foi autorizada a acompanhar a votação do lado de fora do teatro.
Pantaleão destacou que não foi aberta a opção de voto “sim com ressalvas”, pois o Conselho analisa as contas como um todo. Ele explicou que um voto com ressalva não faz sentido, já que isso implicaria em aprovar as contas com ressalvas que já estão contempladas nos pareceres.
O balanço financeiro de 2025 recebeu pareceres de aprovação com ressalvas do Conselho Fiscal e do Cori, que apontaram incertezas sobre a continuidade operacional do clube. A Comissão de Finanças do Conselho havia recomendado a reprovação das contas, citando fragilidades nos controles internos e falta de informações sobre a operação da Neo Química Arena.
Um dos principais pontos de discussão foi a inclusão de uma transação tributária no exercício de 2025, apesar de o acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional ter sido assinado apenas em 2026. A renegociação da dívida de R$ 1,2 bilhão com a União para R$ 679 milhões resultou em uma redução significativa na dívida total do Corinthians.
O balanço apresentou R$ 810,126 milhões em receita operacional líquida, contra R$ 885,354 milhões em despesas operacionais. Após contabilizar depreciações e resultados não operacionais, o déficit totalizou R$ 143,441 milhões. A dívida bruta do Corinthians foi reduzida em relação aos R$ 2,8 bilhões registrados anteriormente.
Além disso, o balanço inclui R$ 205,541 milhões de prejuízo acumulado de anos anteriores. O período analisado abrangeu cinco meses da gestão de Augusto Melo, que deixou o cargo em meio a um processo de impeachment.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original