O Conselho Deliberativo do Atlético-MG aprovou, em reunião realizada na Arena MRV, um aporte de R$ 530 milhões destinado ao pagamento de parte das dívidas bancárias do clube. A decisão, que contou com apenas um voto contrário, também resultou na diluição das ações de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master e que se encontra preso.

Com a aprovação, a composição acionária da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) foi alterada. O novo aporte gerou um aumento de capital de R$ 436,904 milhões, impactando a porcentagem de participação de todos os sócios. Os irmãos Rubens e Rafael Menin viram suas ações aumentarem de 41,8% para 83,5%. A Associação passou de 25% para 10%, enquanto o Galo Forte FIP (de Daniel Vorcaro) passou de 20,2% para 6,5%.

Uma parte do aporte, cerca de R$ 94 milhões, foi injetada através do Fundo de Investimentos e Participações Multiestratégia (FIGA). O CEO do Atlético, Pedro Daniel, destacou que 90% do valor será destinado ao pagamento das dívidas, enquanto os 10% restantes servirão para investimentos já realizados no futebol.

Segundo Pedro Daniel, o clube enfrentou um gasto elevado com juros, que em 2025 alcançou quase R$ 300 milhões, o que representa um peso significativo para uma organização com faturamento de R$ 700 milhões. Com o novo aporte, a expectativa é reduzir esse valor para cerca de R$ 150 milhões em juros.

O FIGA, que significa Fundo de Investimentos do Galo, visa permitir a participação de torcedores como investidores qualificados. A meta inicial era captar R$ 100 milhões por meio da emissão de cotas, mas, como não foi atingida, Rubens Menin se comprometeu a cobrir a diferença.

Atualmente, a dívida bancária do Atlético-MG gira em torno de R$ 654 milhões, e a intenção da SAF é focar na redução dessas dívidas de curto prazo para melhorar o fluxo de caixa e facilitar novos investimentos no futebol.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original