A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) apresentou o panorama financeiro do Cruzeiro, assim como para todos os clubes das Séries A e B. O clube mineiro se destacou por não ter dívidas em atraso e afirmou estar cumprindo suas obrigações no processo de recuperação judicial iniciado em 2022.
Em dezembro de 2025, a dívida total do Cruzeiro alcançou R$ 1,28 bilhão, a quarta maior entre os 20 clubes da Série A. Essa quantia inclui valores que ainda não tinham vencido e está atrelada principalmente ao plano de pagamento de credores da recuperação judicial. O total de bens e direitos do clube, por sua vez, é de R$ 1,77 bilhão, resultando em um patrimônio líquido de R$ 405 milhões.
A dívida total considera tanto o curto prazo (até um ano) quanto o longo prazo (mais de um ano), excluindo receitas recebidas antecipadamente, que somam R$ 79 milhões. Dentro do montante de R$ 1,28 bilhão, 27% (R$ 350 milhões) correspondem a dívidas de curto prazo, e os recursos disponíveis para esse período (R$ 80 milhões) não são suficientes para cobri-las.
De acordo com a ANRESF, para cada R$ 1,00 de dívida de curto prazo, o Cruzeiro dispunha de apenas R$ 0,23 em recursos de curto prazo, como caixa e valores a receber, ao final de 2025. A cobertura de dívidas entre os clubes da Série A varia de 16% a 781%, com uma mediana de 61%.
O detalhamento da dívida do Cruzeiro, conforme a ANRESF, é o seguinte:
- Empréstimos e outras dívidas: R$ 895 milhões (70% da dívida)
- Transferências de atletas: R$ 305 milhões (24% da dívida)
- Obrigações trabalhistas e impostos: R$ 69 milhões (5% da dívida)
- Provisionamento: R$ 12 milhões (1% da dívida)
- Compras e serviços a pagar: R$ 27 milhões (< 1% da dívida)
- Dívidas com associações e sócios: R$ 1,1 milhão (< 1% da dívida)
Além disso, o Cruzeiro tem R$ 79 milhões comprometidos com adiantamentos de patrocínio, direitos de TV e outros contratos, sendo R$ 51 milhões a curto prazo e R$ 28 milhões a longo prazo.
A plataforma da ANRESF permite a consulta das dívidas de cada clube, com base nos balanços financeiros até 31 de dezembro de 2025. As equipes devem relatar pagamentos em atraso três vezes ao ano, com a última janela sendo em julho. O próximo relatório, que será o último de 2026, ocorrerá em novembro, quando o Cruzeiro deverá justificar a dívida a receber do Náutico.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original