Renato Gaúcho, figura emblemática do futebol brasileiro, teve uma passagem breve e conturbada pelo Atlético-MG, que gerou tanto entusiasmo quanto desilusão entre os torcedores. O ex-atacante, muito associado ao Grêmio, atualmente é treinador do Tricolor, adversário do Galo na semifinal da Copa do Brasil. O primeiro jogo ocorre neste domingo, às 18h30, em Porto Alegre.

Com um histórico de rivalidade, Renato foi um dos protagonistas em momentos decisivos contra o Atlético, especialmente em 1987, quando marcou um gol pelo Flamengo no Mineirão. Em 1992, vestiu a camisa do Cruzeiro, seu arquirrival. Contudo, em 1994, ele chegou a Belo Horizonte como uma esperança para a torcida atleticana, sendo recebido com entusiasmo. O clima era de festa, e muitos torcedores o saudaram com gritos de apoio.

A contratação de Renato foi cercada de polêmica, especialmente por conta de sua relação anterior com a torcida. Ele assinou um contrato de US$ 710 mil por um ano, além de ter direito a passagens aéreas mensais. Em sua chegada, declarou: "Vou ganhar mais que o Bebeto no La Coruña" e ressaltou que a melhor oferta era do Atlético, justificando sua escolha pela necessidade de sustentar sua família.

Apesar das expectativas, a relação entre Renato e os torcedores passou por altos e baixos. Paulo Roberto Prestes, ex-jogador do Atlético, relembra que a contratação foi uma surpresa, considerando que Renato era um rival histórico. O time, que contava com estrelas como Luís Carlos Winck, Adilson Batista e Neto, não conseguiu se firmar. A equipe enfrentava problemas internos, além de atrasos salariais que geravam descontentamento entre os jogadores.

Os treinos na Vila Olímpica atraíam grandes multidões, com torcedores se espremendo para ver os ídolos. Contudo, o desempenho em campo não correspondia às expectativas. O Atlético-MG estreou no Campeonato Mineiro em janeiro de 1994, vencendo o Valério por 3 a 0, com Renato marcando um gol. No entanto, a sequência de derrotas e a pressão resultaram na troca de treinador, com Levir Culpi assumindo o comando.

Infelizmente, a química entre os jogadores não funcionou. A falta de comprometimento de alguns atletas e a desestrutura do clube contribuíram para o insucesso. Após 36 jogos e 10 gols, Renato foi dispensado. A situação culminou em um episódio em que ele questionou sua posição no time, resultando em sua saída da concentração.

Em 2024, Renato comentou sobre sua experiência no Atlético-MG, afirmando de forma bem-humorada que, embora houvesse muitos craques, havia também "muita bandido" no grupo. A passagem de Renato pela Selegalo, como ficou conhecido o time na época, é lembrada como uma mistura de promessas e frustrações.

Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original