A Libertadores, nossa querida competição continental, tem se mostrado um palco de disputas não apenas dentro de campo, mas também fora dele. Entre os jogos de ida e volta das oitavas de final, surgiram dois casos que geraram grande repercussão no Brasil e na Argentina: a escalação de Carlos Sánchez pelo Santos, contra o Independiente, e a utilização de Bruno Zuculini, do River Plate, no confronto com o Racing.
Os desfechos dessas situações, no entanto, podem ser bastante distintos. A Conmebol já se manifestou sobre Zuculini, afirmando que o jogador tem suspensões a cumprir. A entidade, porém, alegou que a responsabilidade pela confusão é dela mesma, uma vez que o River Plate havia consultado a Conmebol, que liberou o atleta. Adicionalmente, Zuculini atuou em sete partidas, e nenhum dos quatro adversários que enfrentaram o River na Libertadores, incluindo o Racing, fez uma denúncia dentro do prazo de 24 horas estipulado.
O Racing, por sua vez, é frequentemente comparado ao Botafogo no Brasil, devido às reviravoltas inesperadas que costuma enfrentar. O clube argentino levou duas semanas para perceber a irregularidade na situação de Zuculini, o que gerou ainda mais confusão.
No caso do Santos, a situação é preocupante e pode resultar em uma punição severa, como a alteração do placar de 0 a 0 para 3 a 0, semelhante ao que ocorreu na Sul-Americana com o Temuco. O Santos confiou no Comet, software da própria Conmebol, para verificar punições e dados de jogadores. Se uma ferramenta disponibilizada pela entidade leva a um erro, a punição ao clube parece injusta.
Enquanto isso, o Independiente, em um movimento estratégico, manteve em segredo a informação sobre Sánchez durante um jantar com o presidente do Santos, o que deixou o dirigente brasileiro decepcionado.
Idealmente, os resultados em campo deveriam ser respeitados. Contudo, a realidade é que, em um ambiente competitivo, não há espaço para a compaixão. Se os papéis fossem invertidos, a situação seria igualmente impiedosa. A Libertadores, portanto, caminha para se tornar um verdadeiro tribunal, onde decisões fora de campo podem ter impactos significativos nos resultados.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original