Otávio, goleiro do Cruzeiro, passou de terceiro reserva a titular em um curto espaço de tempo, recebendo elogios até da imprensa internacional. O jovem, que se destacou na ausência de Cássio, revelou em entrevista à Globo que, na infância, não tinha interesse em jogar na posição de goleiro.
Nascido em Perdigão, a 140 quilômetros de Belo Horizonte, Otávio está no Cruzeiro há dez anos. Antes de se tornar goleiro, ele atuava como jogador de linha em brincadeiras com seu irmão mais velho, Pedro Paulo, e na escolinha local. A figura mais influente em sua escolha foi sua mãe, Mariza, que insistiu para que ele jogasse no gol, mesmo contra a vontade do pai, Paulo Roberto, e do próprio Otávio.
“Nós colocávamos um colchão no chão, eu jogava bola para meu irmão, e ele pulava. Na escolinha, meu pai não me deixava ir para o gol, ele era totalmente contra. Mas minha mãe sempre dizia: ‘Está parecendo um tapete’ (risos). Um dia, ela conversou com meu técnico e pediu que ele me colocasse no gol”, contou.
Otávio confessou que não queria ser goleiro, mas após boas atuações, percebeu que tinha talento para a posição. “No primeiro jogo, fui bem e vi que levava jeito. Meu pai continuou contra, mas acabou aceitando”, afirmou.
O jovem goleiro, que se destacou nas categorias de base do Cruzeiro e foi titular da Seleção no último Mundial Sub-20, chegou ao grupo principal em 2025. Com a lesão de Cássio e a situação de Matheus Cunha, Otávio teve a oportunidade de mostrar seu valor. Ele se tornou um dos líderes técnicos da equipe na reação do Cruzeiro sob o comando de Artur Jorge.
“Sendo bem sincero, eu não esperava tudo isso. Claro que nos preparamos para as oportunidades, mas não imaginava que chegaria tão rápido”, disse Otávio, que já fez nove defesas em uma partida contra o Boca Juniors, garantindo um empate na Bombonera.
Além de suas habilidades técnicas, Otávio se destaca pela calma em campo. Ele superou momentos de ansiedade com a ajuda da psicóloga Camila Valicente, que o acompanhou na base. “Antes eu era muito ansioso. Tive uma conversa com ela que me ajudou bastante, aprendi a mentalizar coisas boas e controlar a respiração”, revelou.
Com base em reportagem de Globo Esporte — ver original